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  • POR QUE MEU PACIENTE NÃO LIMPA OS DENTES? ALGUNS DETERMINANTES DOS COMPORTAMENTOS DE HIGIENE BUCAL

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    A saúde bucal faz parte da saúde global do indivíduo, e parece claro para todos que é essencial cuidar da higiene desta região tão importante do corpo humano. Problemas odontológicos como cáries e canal são amplamente conhecidos, e a necessidade de escovação diária e uso do fio dental também. Porém, mesmo tendo acesso a este conhecimento, muitas pessoas continuam não cuidando de sua higiene bucal. Você já se perguntou por quê?


    A psicologia já fez esta pergunta, e diferentes modelos de compreensão de comportamentos de saúde tem sido empregados na busca de respostas. Um destes modelos é o da Teoria do Comportamento Planejado (Theory of Planned Behavior), segundo a qual o comportamento de um indivíduo é determinado por sua intenção de comportar-se. A intenção de um comportamento, por sua vez, é composta de três fatores:


    (a)   Sua atitude em relação ao comportamento – os sentimentos positivos ou negativos de um indivíduo sobre determinado comportamento, por exemplo, “Eu odeio escovar os dentes após todas as refeições” ou “É muito chato passar fio dental todos os dias”.

    (b)    A norma subjetiva – a crença de que pessoas importantes pensam que deve-se ou não apresentar determinado comportamento, por exemplo, “Meus pais acham que eu devo escovar os dentes após todas as refeições e passar fio dental todos os dias”.

    (c)     O controle percebido sobre o comportamento – a percepção do indivíduo sobre sua capacidade de apresentar aquele comportamento, por exemplo, “Eu acredito que sou capaz de escovar os dentes após todas as refeições e passar o fio dental todos os dias”.


    A Teoria do Comportamento Planejado sugere que quanto mais positivas as atitudes do paciente em relação a sua higiene bucal, quanto mais atuantes os agentes sociais que influenciam estes comportamentos e quanto maior o controle percebido sobre seu próprio comportamento, maior a probabilidade de apresentação de uma boa higiene bucal.  Neste sentido, atuações do profissional de odontologia para aumentar comportamentos de higiene bucal do paciente devem priorizar:


    1.      Evidenciar as consequências da boa higiene bucal – a atitude tende a ser positiva se o comportamento produzir consequências positivas. Neste caso, deve-se apresentar ao paciente os benefícios de uma boa saúde bucal, como a melhora na estética, na autoimagem, na autoestima, nas relações interpessoais e na saúde global.

    2.      Aumentar a participação de pessoas relevantes da vida do paciente do processo do tratamento – pais, cônjuges, amigos, entre outros podem ser convidados como acompanhantes nas consultas e incentivados a encorajar o paciente em seus hábitos de higiene bucal.

    3.      Aumentar o controle do paciente sobre o comportamento, dando a ele as ferramentas materiais e comportamentais necessárias para que apresente os comportamentos requeridos. O fornecimento de materiais como escovas dentais e interdentais, creme dental e fio dental pode aumentar o controle percebido sobre o comportamento. O mesmo ocorre por meio do ensino de métodos de escovação e uso de fio dental, que promovem o aprendizado do comportamento necessário.


    Além disso, educar o paciente a respeito da saúde bucal e da necessidade da boa higiene ainda é fundamental, pois muitas vezes o conhecimento que o mesmo adquire ao longo da vida não é condizente com a realidade, e ao invés de torná-lo mais colaborativo com os hábitos de higiene bucal, pode ter o efeito inverso, desencorajando-o neste processo.

    Então, mãos a obra! Planeje em sua atuação intervenções que cuidem do sorriso de seu paciente dentro do consultório, e que aumentem a probabilidade de que o mesmo continue com estes cuidados em sua vida diária!  


Mariana Amaral
Psicóloga Graduada pela UEL, Especialista em Análise do Comportamento Aplicada pela UniFil, Mestre em Análise do Comportamento Aplicada pela UEL e Doutoranda em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela PUC-SP. Atua como psicóloga clínica, palestrante, pesquisadora e docente universitária. Membro da equipe de pesquisa vencedora do Prêmio Jovem Pesquisa da Sociedade Europeia de Psicologia da Saúde, em 2010, com o trabalho Behavior Analysis in the context of Pediatric Dentistry.